ProfiCiência - informação sobre profissões em ciência Conheça as carreiras científicas

Motivar as crianças e jovens para que tenham interesse em ciência é um grande desafio para o Brasil. Identificar, encorajar e estimular os jovens talentosos são formas de contribuir para o crescimento de nossa sociedade, pois o desenvolvimento do país hoje e no futuro depende de termos bons cientistas e bons professores das diversas áreas das Ciências em todos os níveis, desde o ensino fundamental até o pós-doutorado.

Os países desenvolvidos estão tendo suas populações diminuídas, daí o grande investimento nas mulheres como fonte de cérebros e o estímulo por sua inclusão nas universidades e nas diversas áreas da ciência e tecnologia.

Especialistas sugerem que quando tivermos mais mulheres em posições decisórias com relação a ciência e tecnologia, teremos diferentes prioridades nas pesquisas e o desenvolvimento de diferentes tipos de tecnologia. E para implementar o empoderamento das mulheres e jovens, a ferramenta mais eficiente é o conhecimento.

Essa questão do estímulo a participação das mulheres nas Ciências Exatas é importante para a nossa construção cultural e social. A ciência poderia ser enriquecida com um maior reconhecimento da contribuição feminina, ampliando a diversidade de talentos e visões. É necessária uma mudança de valores e atitudes na nossa sociedade, que deve ser mais igualitária, possibilitando tanto a homens como às mulheres a participação no desenvolvimento dos países.

Como mudar este quadro?

É preciso encantar os meninos e meninas brasileiros com os inventos e descobertas do ser humano - que não são fruto apenas dos cérebros masculinos. Cientistas, professores e jornalistas podem contribuir para fazer com que os cidadãos e cidadãs tenham conhecimento científico suficiente para compreender e intervir na sociedade em que vivemos.

Uma recomendação é que as questões de gênero (feminino e masculino) passem a ser incorporadas no desenvolvimento de projetos e programas de educação cientifica, mostrando os desafios que existem e que devem ser enfrentados, a fim de reverter o quadro atual

O foco principal são as professoras e professores do ensino básico, que nas salas de aula podem estimular nas meninas a consciência de que elas podem ser cientistas e engenheiras, mostrando exemplos de mulheres bem sucedidas nessas áreas que não abriram mão de sua vida pessoal como esposa e mãe. As meninas devem perceber essa perspectiva como possível para suas vidas.

Os professores podem - e devem - levar os alunos em sala de aula a perceber as desigualdades entre homens e mulheres e a agir pela equiparação de oportunidades, lutar pela consolidação da educação inclusiva, não sexista, não racista e não homofóbica.

Várias Academias de Ciências do mundo - nas quais, em média, as mulheres não são somam mais que 10% - estão envolvidas num esforço de fazer com que as mulheres sejam parte integrante da força de trabalho nas áreas de Ciências e Engenharias. É preciso mudar a visão que a sociedade ainda tem de que a ciência é um espaço misógino, ou seja, que não "gosta" das mulheres...

O número vem crescendo, mas...

No início do século 20 a relação entre os papéis masculinos e os femininos era muito desigual. Os homens tinham mais anos de estudo que as mulheres. Essa relação mudou. No início do século 21 esse número já é igual, tendendo um pouquinho para um maior número de mulheres com mais anos de estudo.

A cada ano, em todo o mundo, o número de mulheres dentro das universidades aumenta. Dados da Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (OECD) mostram que, na Europa, em cada 100 doutores, 43 são mulheres.

Nos EUA, o número de homens e mulheres que têm título de doutorado em ciências é estável, em ligeira queda; já o número de mulheres é menor, mas significativamente crescente. Em 40 anos, o número de graduandas dobrou, o de mestrandas aumentou três vezes e o de doutoras aumentou cinco vezes.

Elas se concentram nas Ciências Biológicas, Psicologia, Ciências Sociais e Ciências Humanas de modo geral. Nessas áreas, já chegam a ser maioria. Nas áreas de Exatas, porém - especialmente nas Engenharias - a presença feminina é bem menor, sendo elas ainda minoria.

No Brasil, seja em nível nacional, em nível da região Sudeste ou do Rio de Janeiro, o número de mulheres nas universidades vem crescendo muito, chegando a 50 % em algumas áreas das Ciências Sociais e Humanas. Hoje, a cada cem doutorandos 54 são mulheres. Entre os bolsistas de produtividade em pesquisa do CNPq, no entanto, que é a categoria que remunera os pesquisadores mais bem avaliados, apenas 25% são de mulheres.

Em 2003, na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), embora a metade dos docentes fossem mulheres, apenas 23% dos cargos de chefia estavam nas mãos de mulheres. Na Comissão Executiva da 4ª Conferência Nacional de Ciência e Tecnologia (4ª CNCTI), realizada em 2010, por exemplo, havia pouquíssimas mulheres, e no Conselho Consultivo desse mesmo evento não havia nenhuma.

Ou seja: o número de mulheres na Ciência vem aumentando, mas ainda são poucas em posição de destaque. A conclusão é que a ascensão da mulher dentro das carreiras científicas ainda depende de vários fatores, inclusive da quebra dos estereótipos vigentes.