ProfiCiência - informação sobre profissões em ciência Conheça as carreiras científicas

O Brasil é um país de proporções continentais, onde é encontrada a maior biodiversidade do planeta, o potencial biológico de uma floresta como a Amazônica, além de áreas com enorme potencial petrolífero, como o pré-sal. Temos terras suficientes e com qualidade para ampliar exponencialmente a produção de alimentos e ao mesmo tempo fornecer matéria-prima para a produção de biocombustíveis, além de dispor de outras possíveis fontes de energias alternativas, como a eólica (dos ventos) e a originária das ondas do mar. 

Prioridade nacional

Nosso país tem urgência de aproveitar todo esse potencial para sair da fase de exportação de commodities (matéria-prima) e agregar valor ao nosso imenso repertório natural, promovendo, assim, o crescimento econômico que pode trazer a redução tão desejada da desigualdade social. 

No entanto, para dar conta desse crescimento esperado e necessário, temos que superar um sério gargalo, que é a falta de profissionais qualificados para promover o desenvolvimento científico e tecnológico demandado. Entre os esforços necessários, estão a identificação e o investimento em jovens talentosos. É preciso investir em educação e em ciência: o país precisa de cérebros e, em especial, nas áreas tecnológicas. 

Nesse sentido, despertar o interesse dos jovens brasileiros para importantes áreas estratégicas como as ciências exatas, as ciências da vida e as engenharias pode ser considerada uma prioridade nacional. 

O momento em que vivemos

Para tratar da motivação para a ciência, é importante avaliarmos o momento em que vivemos, o século 21 - um tempo no qual a ciência e a tecnologia estão em absolutamente tudo. Toda a melhoria social que vivenciamos vem da ciência: os medicamentos, a comunicação, o transporte. E também os planos para facilitar a compra de casa própria, o respeito a populações com seus valores específicos, a eficácia de novos métodos de alfabetização... por trás de tudo isso, tem um cientista. Ou melhor, vários - com interesses diferentes e metodologias de trabalho diversas, mas tendo algo em comum: a vontade de contribuir para construir um mundo melhor. 

Espaço para os cientistas

Nossa sociedade consome ciência e, portanto, é um bom lugar para cientistas. Os desafios são muito grandes porque se estuda muito, mas ainda se sabe pouco. E os avanços tecnológicos trazem novos problemas, levantam novas questões. Até que ponto é ético clonar órgãos, pessoas ou animais? Os alimentos transgênicos devem ser plenamente adotados ou a prudência deve ser mantida para evitar efeitos colaterais ainda desconhecidos? E os produtos que utilizam nanotecnologia, como xampus e cremes, será que também trazem algum tipo de risco ainda não avaliado? Os cientistas têm muito o que fazer... Veja na seção Por que cientista? o que motivou diversos cientistas a escolherem o caminho da ciência. 

Ciência para a cidadania

Os jovens têm pouco conhecimento sobre o que é ciência e tecnologia de forma abrangente, mas precisam ganhar consciência sobre esses temas. Essa consciência é cada vez mais necessária, em função da integração entre diferentes áreas e porque nossa sociedade está se desenvolvendo baseada em ciência. Você é contra ou a favor do uso de energia nuclear? Por quê? E as pesquisas com células-tronco, você apoia? Por quê? Será que nossas atitudes individuais podem contribuir para minimizar os efeitos das mudanças climáticas? Como? Para ser um cidadão hoje, é preciso ter opinião sobre vários temas ligados à ciência, pois se você não participar das decisões, alguém vai tomá-las por você... 

Mulheres na ciência 

Preconceitos familiares e sociais muitas vezes afastam as meninas da ciência. Nossa sociedade tem um histórico de modelos de comportamento feminino que não priorizam a inteligência, a criatividade ou a ousadia nas mulheres, e sim a beleza, a sensualidade e o comodismo. Por essas e por outras é que meninas muitas vezes nem levam em consideração a hipótese de seguir uma carreira científica.  

No mundo inteiro, no entanto, vêm crescendo o sucesso e o destaque das mulheres em atividades científicas. Na seção Para meninas, saiba mais sobre algumas mulheres que se destacaram na história da ciência e os depoimentos de jovens brasileiras que ganharam o Prêmio L'Oréal para Mulheres na Ciência. E não pensem que pelo fato do prêmio ser oferecido por uma fábrica de cosméticos o foco são apenas pesquisas nessa área: pelo contrário, as pesquisas premiadas são das mais diversas áreas, escolhidas pela excelência. Ponto para elas! 

Há que ter paixão...

A ciência é algo que atrai e ocupa a cabeça do pesquisador o tempo todo. Para ser um cientista, um pesquisador, a pessoa precisa ter vocação e perseverança: são carreiras que só são escolhidas realmente quando há paixão. E com paixão, vale a pena: são muitas as gratificações. Pelo menos é o que dizem aqueles que abraçam a ciência - veja os depoimentos de cientistas nos vídeos da seção Paixão pela ciência

É preciso estudar muito, nunca achar que sabe tudo, perceber que estamos sempre aprendendo. Dar aulas ajuda muito nesse aspecto, porque se o aluno faz uma pergunta e o professor sente que não está muito firme na resposta ele vai estudar, vai se sentir motivado a saber mais. 

Por que não?

Se você tem vontade de saber mais sobre os fundamentos do conhecimento humano a respeito da natureza, então pesquise mais sobre as ciências básicas, como a física e a química.  

Se tem mais interesse em saber como voa um avião, como se pode construir uma usina para aproveitar a energia dos ventos, como funcionam o rádio, a televisão e os computadores e gostaria de melhorar esses aparelhos, então talvez uma carreira na área das engenharias lhe pareça mais interessante.  

Se sua preocupação é com a saúde, a melhoria da qualidade de vida das pessoas portadoras de doenças, procure mais informações sobre as carreiras nas ciências da saúde e biomédicas.  

Se sua curiosidade maior é saber como funcionam os organismos vivos e como eles se relacionam com o meio ambiente, então leia mais sobre as ciências biológicas. E se tem entusiasmo por tudo que diz respeito a dinossauros, ou pelos diferentes animais e plantas que já viveram sobre a Terra, ou pela Terra propriamente dita, busque saber mais sobre as ciências da terra.

Mas preste bem atenção: essa divisão formal entre as ciências, na verdade, fica cada vez mais difusa, porque é no limite entre essas ciências que estão as grandes perguntas atuais. Essa visão compartimentada sobre as áreas vem sendo revista e novas áreas interdisciplinares vêm surgindo. Elas são muito importantes e delas certamente virão os maiores progressos científicos e tecnológicos deste século.

Como as colaborações entre as áreas possibilitam novas aprendizagens, a tendência dos laboratórios é se tornarem cada vez mais multidisciplinares, integrando físicos, matemáticos, biólogos, engenheiros e outros especialistas. Nesse ambiente, todos vão focar em um mesmo problema e cada um, com sua formação específica, pode dar o seu olhar, a sua contribuição para uma possível solução.

E por que não você? Quem sabe se você não será um membro de uma equipe multidisciplinar de pesquisa? Conheça mais sobre as carreiras científicas e descubra novos interesses!

A importância da formação: continuar estudando é fundamental!

Embora não haja um padrão entre as empresas, a maioria delas prevê, em seu Plano de Cargos e Salários, um aumento na remuneração de profissionais com mestrado ou doutorado. Na Fundação Getulio Vargas (FGV), por exemplo, aqueles que têm mestrado recebem 35% a mais que os empregados que possuem apenas curso superior, enquanto que os doutores ganham 70% a mais.

Segundo a direção de Recursos Humanos da empresa Dow AgroSciences, o salário de um novato no mercado fica em torno de R$ 5 mil. Porém, com cinco anos de experiência e um título de doutor, esse profissional pode ganhar o dobro.

Esta diferença não é característica apenas do setor privado. Dados do Boletim Estatístico de Pessoal do Ministério do Planejamento, de 2016, mostram que, entre servidores públicos, a diferenciação salarial em função da qualificação acadêmica também é um fato. No caso de professores do ensino básico, técnico e tecnológico da classe Titular, em regime de dedicação exclusiva, por exemplo, os que têm mestrado ganham, aproximadamente, 66% do salário daqueles que têm doutorado. Já os professores sem títulos ganham menos de 50% do que os que são doutores.

Na área de Educação, a qualificação é muito valorizada. Por exemplo: técnicos-administrativos de universidades federais têm percentuais de incentivo de 27% para especialização, 52% para mestrado e 75% para doutorado, de acordo com a Lei 11.091.