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A Academia Brasileira de Ciências é responsável pela organização do Programa ABC na Educação Científica - Mão na Massa, que promove o ensino de ciências através da investigação. Este programa é conduzido em diversos lugares do Brasil por professores treinados. A metodologia de trabalho utilizada pelo programa é um bom exemplo de aplicação do método científico.

As etapas são as seguintes:

1. Problematização e levantamento de hipóteses

A problematização é desenvolvida a partir de questões ou situações-problema com a intenção de fazer o levantamento das hipóteses dos alunos. Por meio dela, o professor identifica o que os alunos já sabem sobre o assunto e organiza as próximas etapas. Essas questões ou situações podem surgir dos próprios estudantes, durante o dia-a-dia da sala de aula, ou serem motivadas pelo professor.

Nesse último caso, é importante não só que haja clareza quanto ao objetivo que se deseja atingir, mas também que as questões tenham sentido para os alunos, estando de acordo com seu nível de desenvolvimento cognitivo e possibilitando a geração de várias respostas apropriadas. Dessa forma, instigarão a descoberta e permitirão o encaminhamento das respostas através das atividades investigativas.

É necessário que as questões constituam de fato um problema para as crianças, para motivar, desafiar, despertar o interesse e gerar discussões. Os alunos procuram responder às questões colocadas elaborando suas hipóteses sobre o assunto e verificando essas hipóteses com os procedimentos indicados em cada atividade.

É importante lembrar que, embora a problematização seja a etapa  mais propícia para a formulação de perguntas e hipóteses, outras questões podem ser suscitadas durante o desenvolvimento das atividades das demais etapas, tanto pelos alunos, que demonstram novos interesses e levantam questionamentos visando a futuros experimentos e descobertas, quanto pelo professor, no intuito de encaminhar novas discussões.

2. As atividades investigativas

Em grupos, os estudantes elaboram as estratégias para verificar as hipóteses levantadas durante a etapa de problematização, apresentando-as aos demais e discutindo-as coletivamente, gerando possíveis revisões.

A verificação é realizada por diversas atividades propostas pelos alunos, dentre elas: experimentação, saída a campo, observação de fenômenos, pesquisa em livros e Internet, entrevistas etc., postas em prática com a orientação do professor. As pesquisas em livros e na Internet não devem ser utilizadas como fonte de respostas, mas como meio de levantamento de dados que ajudem na verificação das hipóteses.

As atividades motivam os alunos e tornam as aulas mais agradáveis, mas não podemos esquecer sua função primordial: resolver uma situação-problema, ultrapassando a simples manipulação de materiais.

3. Conclusão

É preciso lembrar que a atividade não se encerra com a realização das investigações; é importante que o aluno reflita e seja capaz de relatar o que fez, tomando consciência de suas ações e propondo causas para os fenômenos observados.

Nesse sentido, o professor conduz a discussão visando reunir as diversas opiniões, comparando os resultados dos diferentes grupos e das diferentes fontes de pesquisa com as hipóteses iniciais e elaborando com os alunos uma conclusão sobre o assunto. É quando deve manter-se atento para que, a partir da discussão sobre as divergências, do confronto de diferentes pontos de vista e/ou de novas questões que surjam, os alunos ampliem seu conhecimento.

4. Sistematização e registros
 
O registro de todo o processo - problematização, levantamento de hipóteses, investigação e conclusão - facilitará a comparação e a análise de dados, a elaboração de textos, bem como contribuirá para o processo de alfabetização. Os registros podem ser divididos em: individuais (dos alunos), coletivos (do grupo/classe) e do professor.

- Registro individual

São várias as formas de registro: texto, desenho, pintura, modelagem, gráficos etc. No entanto, é necessário observar as peculiaridades de cada um. O desenho, a pintura e a modelagem, por exemplo, em geral realizados por crianças muito pequenas, registram a compreensão de uma situação, mas necessitam de um diálogo para se compreender o significado que lhes é atribuído, seguido do registro do professor (legenda).

Embora desenvolvam ainda outras habilidades, como criatividade, coordenação motora e noções de espaço, nem sempre permitem, sozinhos, a avaliação do processo até a conclusão final. Assim, ter um texto escrito para acompanhar é mais apropriado para representar o entendimento acerca do conceito ou fenômeno estudado.

A partir do registro individual é possível avaliar o desenvolvimento de cada aluno, a aquisição de habilidades e a forma de compreensão/assimilação do que foi visto em classe.

- Registro coletivo

O registro coletivo pode ser realizado utilizando-se os mesmos recursos do registro individual. Diferencia-se do individual por explicitar as construções, os acordos e os consensos dos grupos e da classe à medida que se constroem novas ideias.

- Registro do professor

O registro do professor ajuda a compreender todo o processo de trabalho. Envolve as situações do dia a dia, os conflitos e dilemas da classe e do professor, as falas dos alunos, as relações pessoais, as estratégias de resoluções de problemas e as conclusões elaboradas pelo grupo. Ao registro escrito podem ser adicionadas fotos e filmagens que, além de enriquecê-lo, contribuem com mais elementos para a compreensão do processo.

5. Divulgação

Ao final da investigação, é interessante a estruturação de atividades ou materiais para a divulgação do trabalho. Divulgar não só permite trocas de experiências entre alunos e professores (da mesma escola ou de outras), mas também estimula o envolvimento e a participação dos pais e da comunidade nos trabalhos desenvolvidos na escola. Para isso, podem ser utilizadas diversas estratégias, criadas e elaboradas pelos alunos com a ajuda do professor: feira de conhecimento, peça teatral, correspondências, campanhas, sites na Internet, exposições, elaboração de livros, etc.

Nessa etapa, é preciso que o professor organize o trabalho de forma compreensível para aqueles que não participaram do processo. É importante, ainda, a promoção de situações em que o aluno conte o que produziu, o resultado e a conclusão a que chegou. Desta forma, ele estará desenvolvendo sua capacidade de selecionar fatos relevantes, realizar sínteses e apresentar uma situação vivenciada.

O método científico

 História do método científico

O método científico nas ciências humanas e sociais