ProfiCiência - informação sobre profissões em ciência Conheça as carreiras científicas
Se você gosta de robôs, São Carlos é o lugar certo para estar entre os dias 18 e 22 de outubro. A cidade será, literalmente, invadida por robôs e você terá a oportunidade de conferir tudo ao vivo. É onde acontecerão, simultaneamente, três grandes competições de robótica e uma mostra nacional abertas ao público e gratuitas.

As escolas da região estão convidadas para trazer suas turmas e acompanhar o evento, assim como o público em geral. Com a ajuda dos monitores, os estudantes poderão compreender tudo o que está acontecendo nas arenas de competições dispostas no salão de eventos e no ginásio de esportes da Universidade de São Paulo (USP) em São Carlos.

No sábado, 18 de outubro, é dia de aproximadamente 170 equipes se apresentarem para as duas competições (Latin American Robotics Competition e Competição Brasileira de Robótica). No domingo, às 13 horas, começa a jornada de desafios dos robôs trazidos por esses 20 mil competidores. A história prossegue até o dia 22, quando acontecem as premiações.

"Sempre gostei de colocar a mão na massa e ver na prática a computação funcionar", conta um dos organizadores do evento, Eduardo Fraccaroli. Ele se consagrou campeão latino-americano em 2010, na categoria simulação de futebol de robôs em 2D. Em 2006 e 2009, competindo na mesma categoria, foi campeão da competição brasileira. Hoje, Fraccaroli faz doutorado no Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação (ICMC) da USP, em São Carlos. 

"Estimular a participação nas competições de robótica é uma forma de trazermos mais conhecimento sobre essa área, fortalecendo a robótica no Brasil", explica o doutorando. "Fazendo um paralelo com a Fórmula 1, em que todas as tecnologias estudadas e testadas nas pistas podem ser utilizadas nos carros nas rua, nas competições de robótica, a ideia é a mesma. Tudo o que é estudado e testado pode ser empregado nos produtos que estarão disponíveis no mercado num futuro próximo", completa Fraccaroli.

Futebol e outros desafios

Entre as diversas modalidades que compõe a 13th Latin American Robotics Competition (LARC) e a 12ª Competição Brasileira de Robótica (CBR), há quatro destinadas especialmente ao futebol de robôs: humanoide, em que o jogo é disputado por robôs que tem alguma similaridade com os humanos (como o robô Nao, por exemplo); small-size, em que o tamanho reduzido é o diferencial; além das categorias de simulação 2D e 3D. A RoboCup é a organização responsável por estabelecer as regras dessas competições, que agregam ainda outras modalidades, como, por exemplo, a dos robôs que precisam atuar como agentes de resgate (RoboCup Rescue Simulation Agents) e a dos que realizam atividades domésticas (RoboCup @Home). 

Outra organização participante da iniciativa é o IEEE Robotics and Automation Society, que estabelece as normas para outras quatro modalidades das competições, entre elas a corrida de robôs humanoides (IEEE Humanoid Robot Racing) e uma modalidade aberta (IEEE Open), em que, a cada dois anos, são propostos novos desafios aos competidores. Este ano, haverá um tanque repleto de água onde os robôs deverão superar o desafio de transportar uma carga entre a plataforma flutuante e a superfície. "O objetivo aqui é simular o que acontece em uma plataforma de petróleo, quando é necessário transportar uma carga da plataforma para a terra e vice-versa", explica Fraccaroli.

Escolas competindo

Já a 8ª Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR) vai reunir em São Carlos as equipes das escolas que, após participarem das etapas estaduais da Olimpíada, alcançaram os melhores resultados e chegaram à final nacional. Também conhecida como RoboCup Junior Rescue A, a final nacional da OBR garante aos campeões de cada nível (fundamental, médio ou técnico) uma vaga para participar da RoboCup Junior Mundial 2015, a ser realizada na Tailândia.

Essa competição vai reunir 80 equipes, cerca de 320 competidores, que chegam à cidade no dia 19 e vão competir durante três dias: de 20 a 22 de outubro. "Em 2012, a OBR contabilizou 300 equipes inscritas na competição em todo o Brasil; em 2013 esse número subiu para 800 e, em 2014, foram 1,9 mil equipes", destaca Flávio Tonidandel, coordenador geral da OBR.

Além das competições

Além de abrigar essas três competições, São Carlos também sediará, durante o mesmo período, a 4ª Mostra Nacional de Robótica (MNR). Considerada a maior mostra de trabalhos em robótica do país, o evento busca a valorização do conhecimento interdisciplinar e integrado, estimulando a submissão de trabalhos na fronteira entre a robótica e diversas outras áreas do conhecimento, tais como: artes, humanidades, ensino, ciências e inovação, além das áreas tradicionais, como elétrica, mecânica e computação. Serão apresentados trabalhos nos formatos de arquivo multimídia, além do tradicional artigo científico.

Todos essas iniciativas fazem parte da Joint Conference on Robotics and Intelligent Systems (JCRIS) 2014, que congrega um total de 12 eventos e tem como público esperado três mil participantes. As três competições e a mostra serão realizadas em conjunto com diversos eventos científicos nas áreas de robótica e sistemas inteligentes.

A JCRIS 2014 é parte das comemorações dos 80 anos da USP, sendo promovida conjuntamente pela USP em São Carlos - por meio do ICMC, da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), do Centro de Robótica de São Carlos (CRob) e do Núcleo de Apoio à Pesquisa em Aprendizado de Máquina e Análise de Dados (NAP-AMDA) - e pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), através do Departamento de Computação e do Departamento de Engenharia Mecânica.

O evento conta, ainda, com o apoio da Sociedade Brasileira de Automação (SBA) e da Sociedade Brasileira de Computação (SBC), além de suporte financeiro da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado de São Paulo (FAPESP), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

"Essa é uma grande oportunidade para o público conhecer diferentes tipos de robôs e ver as equipes montando e desmontando seus equipamentos, calibrando os sistemas. Isso é muito estimulante, porque estamos falando de uma área multidisciplinar, que integra conhecimentos de hardware e software. Qualquer pessoa que tenha experiência em hardware e software pode colocar suas ideias em prática e contribuir para a inovação tecnológica", finaliza a coordenadora geral da JCRIS 2014, Roseli Romero.

Para explicar tudo o que está acontecendo na arena das competições, haverá monitores à disposição dos grupos que se inscreverem antecipadamente por meio do site do evento.


(Ascom ICMC/USP / Fotos: Valdecir Becker e Denise Casatti)