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Bertha Becker nasceu em 1930, no Rio de Janeiro. Sua irmã mais velha cursava História e Geografia, o que era uma referência para a caçula. Mas escolheu estudar Geografia porque queria conhecer o mundo, viajar. E pesou muito a influência dos pais, que eram imigrantes da Europa Oriental - a mãe da Ucrânia e o pai da Romênia. "Aquilo de cruzar o Atlântico e vir para a América era lidar com a fronteira, com o desconhecido, com a possibilidade de construir coisas novas. Isso combina com a Amazônia".

Cursou o Bacharelado e a Licenciatura em Geografia e História na Faculdade Nacional de Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (FNFi/UFRJ), no início da  década de 50. É doutora e Livre-docente pelo Instituto de Geociências da UFRJ e pós-doutora pelo Department of Urban Studies and Planning, MIT, nos EUA. Desde 2000 é Professora Titular aposentada da UFRJ e atua como consultora de diversos ministérios: da Ciência e Tecnologia (MCT), das Relações Exteriores entre eles. Também assessorou o ex-ministro Roberto Mangabeira Unger no  Plano Amazônia Sustentável. 

Bertha estuda a expansão da fronteira móvel da agropecuária no Brasil desde a década de 60. Começou com o crescimento da pecuária em torno do Rio de Janeiro e São Paulo fazendo pesquisa de campo, conversando com os fazendeiros. Isso foi na década de 70 e ela acompanhou então o avanço da pecuária para Goiás e dali para a Amazônia. "As pessoas pensam que isso é novo, mas não é, a expansão das fronteiras da pecuária na direção da Amazônia tem 50 anos".

Bertha conta que a pecuária é muito característica e antiga no Brasil. "Pecus significa dinheiro e a pecuária extensiva é um investimento que dá pouco trabalho, se desloca sozinho e é de alto rendimento no Brasil. Juscelino Kubitschek teve grande influência nesse crescimento porque até sua gestão só existiam matadouros. Com a criação de estradas e o frio industrial surgiram os frigoríficos."

A pesquisadora conta que começou a estudar as fronteiras no regime militar, que em sua opinião teve aspectos muito positivos. "O principal foi o desenvolvimento das telecomunicações, que possibilitou inclusive o crescimento dos movimentos sociais".

Com relação à assessoria que dá em assuntos da Amazônia, Bertha acha que hoje o mundo mudou, o Brasil mudou. "Não podemos ficar só com áreas protegidas. Primeiro porque a proteção já não protege mais e o desflorestamento continua. E só proteger não gera renda e trabalho, que é o fundamental para a região e para o país. O que precisamos é produzir para preservar."

Bertha diz que em seus muitos anos na universidade, formando mestres e doutores, ela conclui que o que caracteriza um cientista é a paixão pelo que está estudando "porque é isso que preenche a vida." Considera também fundamentais a perseverança e a disciplina, a capacidade de insistir quando as coisas não dão certo. Trabalhando com a Geopolítica da Amazônia, ela sabe o que é isso.