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Recife, Pernambuco, ano de 1942. Nasce Aron Simis, filho de pais emigrados de Iednetz, um ponto minúsculo na então Romênia, depois Rússia e hoje República da Moldávia. Sua infância e adolescência foram como as de outras crianças. Na escola, sempre foi aluno com excelentes notas e era admirado e elogiado pelos mestres e pelos mais velhos. "Isto não me enchia de vaidade, pois me parecia natural querer saber de tudo, aprender tudo e ser responsável com as obrigações escolares. Geografia e Matemática eram tão atraentes quanto musica, cinema e gibis", conta Aron.

Seus pais, imigrantes, não passaram do primário. Na família não havia cientistas - na verdade, pouquíssimos cursaram universidade. Não sendo filho de pais intelectuais, não tinha qualquer preconceito sobre o que deveria ser classificado como relevante ou irrelevante pelos padrões usuais desta classe.

Só se aproximou da Matemática nos últimos anos do curso cientifico, que correspondia ao ensino médio de hoje. A motivação surgiu através de um colega de turma, "aluno fraco, inteligência mediana que, no entanto, portava diariamente sob a axila um livro de Matemática escrito por um engenheiro-militar, que era moda na época. O colega não sabia resolver os problemas do compêndio e me perguntava. Eu também não sabia, mas fiquei fascinado." 

Aron ainda tinha dúvidas sobre a carreira a seguir: estava entre a Arquitetura, por causa da sua habilidade para desenhar, e a Matemática. Acabou prestando vestibular para dois cursos, em faculdades diferentes - Matemática e Filosofia - pois, segundo ele, achava que poderia consertar o mundo. Seu pai aceitou com indiferença suas escolhas, pois esperava um filho engenheiro.

Graduou-se em Matemática pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), fez mestrado e doutorado na Queen's University, no Canadá. Depois cursou um pós-doutorado na Brandeis University, nos EUA, e foi professor visitante no Max-Planck-Institut für Mathematik, na Alemanha. Para todas essas viagens Aron conseguiu apoio financeiro de instituições estrangeiras, como a Fundação Guggenheim e a Sociedade Japonesa para o Progresso da Ciência.

Sua área de interesse abrange a Geometria Algébrica, a Computação Algébrica e a Álgebra Comutativa. Colabora há muitos anos com algebristas alemães, americanos e italianos e já organizou diversas reuniões científicas internacionais. Foi Pesquisador Titular do Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) e eleito membro titular da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e da Academia de Ciências dos Paises em Desenvolvimento (TWAS). Recebeu a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico do Presidente da República do Brasil em 2002. Atualmente é Professor Titular da Universidade Federal de Pernambuco.

O pesquisador conta que seu fascínio pela Matemática estava - e está - na simplicidade do seu conteúdo, sempre envolvendo o mínimo possível de dados, todos inerentes a sua própria estruturação interna. "Pode-se dizer que eu nunca teria sido um excelente engenheiro ou sequer um genuíno matemático aplicado preocupado com a implementação em produtos observáveis. O que realmente me encanta é saber que fiz uma escolha razoavelmente satisfatória, embora não fosse isto dedutível por teorema", brinca Aron.