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Filho de judeus progressistas, imigrantes da Europa Oriental e bastante pobres, Simon Schwartzman nasceu em Belo Horizonte, Minas Gerais, no ano de 1939. Os pais tinham tido pouca ou nenhuma educação formal, falavam o íidishe e tinham ligações com uma ampla cultura de esquerda que existia nos meios judaicos de origem européia.

Simon diz que nunca pensou em ser "cientista" propriamente, mas sim em ser uma pessoa envolvida com as questões sociais e políticas, interesse despertado pelas atividades dos pais. Entrou para o curso de Sociologia e Política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em 1958, e diz que para ele e seus colegas, embebidos na literatura marxista, não havia diferença entre ciências sociais e militância política.

Em 1962 ganhou uma bolsa para fazer um mestrado na Faculdade Latinoamericana de Ciencias Sociais (FLACSO), e foi aí que começou, segundo ele, a entender melhor o que eram a Sociologia e a Ciência Política como campos de pesquisa propriamente ditos e a importância de se separar a militância político-partidária da pesquisa. "Até hoje, contudo, acredito que os cientistas sociais não são só pesquisadores, mas também intelectuais, com a responsabilidade de pesquisar e tratar de entender, comunicar e defender suas idéias ante a sociedade."  

Simon obteve o seu Ph.D. em Ciências Políticas na Universidade da Califórnia, Berkeley, em 1973. Ele vive no Rio de Janeiro desde 1969, trabalhando e ensinando na Fundação Getúlio Vargas e até 1988 no Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro. Foi professor de Ciências Políticas nas universidades de São Paulo e Minas Gerais e Pesquisador Sênior na Fundação Getúlio Vargas. Antes disso, foi diretor do Grupo de Pesquisas sobre Ensino Superior na Universidade de São Paulo.

O Prof. Schwartzman atua internacionalmente liderando grupos de pesquisa e dando aulas em diversas universidades do mundo. Foi presidente da Associação Brasileira de Sociologia e editor, por muitos anos, da Revista de Ciências Sociais. Pertence aos conselhos editoriais de várias revistas acadêmicas na América Latina e na Europa. Atualmente, dirige o Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade (IETS).

Seu trabalho inicial abordou mudanças políticas sob uma perspectiva histórica e comparativa, com ênfase especial para o Brasil. Mais recentemente, ele tem trabalhado com as dimensões sociológicas e políticas da produção do conhecimento, na ciência, tecnologia e educação. Recebeu a Medalha Comemorativa de 30 anos do CNPq em 1981 e a Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Científico do Presidente da República do Brasil em 1996.