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Nascida em São Paulo no ano de 1952, Maria Assunção da Silva Dias pensou em ser cientista no colegial, que correspondia ao atual ensino médio, quando começaram as aulas de Física.

Através da leitura de biografias de cientistas famosos como Einstein e Marie Curie começou a se interessar por Astronomia. "Meus pais até me deram um telescópio e eu lia tudo que havia a respeito de planetas e estrelas. Na minha família tenho um tio-avô astrônomo, porém nunca o conheci. Também tinha um tio químico e foi ele quem me ensinou muito sobre os caminhos da Ciência", conta Assunção. Seus pais sempre respeitaram e incentivaram sua escolha.

Durante o colegial também começou a ler ficção científica e criar uma idéia meio romântica do universo. Com isso, resolveu fazer o vestibular para Física na USP. Ao fim do primeiro ano, viu um cartaz oferecendo estágio na área de Meteorologia Marinha no Instituto Oceanográfico da USP. "E lá fui eu. Nem sabia direito o que era Meteorologia. Mas o estágio me revelou um novo mundo, muito mais próximo, regido pelas equações da mecânica dos fluídos que era algo que eu estava achando interessantíssimo."

Assunção percebeu também nesse período que havia uma opção melhor para sua formação básica: o curso de Matemática Aplicada, também da USP. Pediu transferência ao fim do segundo ano de Física e se formou dois anos depois. O mestrado e o doutorado em Ciências Atmosféricas foram feitos na Colorado State University, nos EUA." Ela já estava casada nessa época, com um futuro cientista, de uma família com tradição em Ciência, e juntos trilharam o caminho da pós-graduação e depois o caminho da docência e pesquisa na USP.

Dentro da Meteorologia, acabou se especializando na área de formação de nuvens e chuvas, especialmente a modelagem numérica desses fenômenos, com ênfase na região Amazônica. "Na Amazônia encontram-se floresta intocada e áreas desmatadas, atmosfera limpa e regiões com fumaça da queima da biomassa", explica a professora. Isso torna a região um laboratório perfeito, a céu aberto, onde se pode analisar o efeito das atividades humanas em algo central do ambiente amazônico que é a chuva.

"O que me fascina na Amazônia é a forma com que cada parte do ecossistema e da atmosfera interage de forma muito estreita e complexa, desafiando nossa capacidade de compreensão e de modelagem. É um lugar também em que a cada novo conjunto de observações, de medidas especiais que fazemos, descobrimos novos aspectos científicos", explica Assunção.

Atualmente, Maria Assunção é Professora Titular do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciência Atmosféricas da Universidade de São Paulo (IAG-USP) e tem bolsa de pesquisa do CNPq nível 1-A desde agosto de 1997. Desde 2003 é coordenadora geral do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (CPTEC-INPE). Assumiu diversos cargos na universidade, em entidades governamentais da sua área e em comitês tanto nacionais como internacionais. É editora de algumas importantes revistas da área. Em 2006 recebeu o Prêmio Adalberto Serra pela carreira de pesquisa, conferido pela Sociedade Brasileira de Meteorologia.